sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O saquinho transbordante da hipocrisia

O prazer doentio que ludibria a mente dos mesquinhos(e pobres cosmicamente) é ter o ego massageado através de meias verdades que todos gostam de ouvir. Vivemos no eterno faz de contas, mas que de fato nunca acontece. Seja submisso e "viva feliz". Seja sincero e aguarde o paredão de fuzilamento oriundo do tribunal dos julgamentos bizarros e da "vontade divina", que andam lado a lado por sinal. Vivemos num mundo de cegos que não "enxergam" o interruptor instalado em seus próprios narizes. O telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor só servem se for pra dizer "amém" a tudo e a todos. Né isso amiguinhos?!
Sem mais.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Breve Poeminha Sobre o Paradoxo da Inércia Nossa de Cada dia



A depressão da segunda-feira
O choque de realidade da terça
As torcidas e distorcidas de vida(s) da quarta
A sensação de “o melhor ainda está por vir” da quinta
A corrida desesperada/desenfreada/despreocupada etílica da sexta
A ressaca continuada/eternizada do sábado
As desilusões de uma pseudo-biografia mal acabada do domingo
Um ciclo vicioso que vai do nada pra lugar nenhum
Um estouro de vozes incômodas que gritam silenciosamente
Um silêncio
É o que necessitamos, de fato
Um silêncio apenas...

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

(Des)Virtualidade exposta na bienal do grotesco

            O sentimento não é mais vivido, é compartilhado, o momento não é mais imortalizado, é curtido, a verdade não depende mais dos pontos de vista de cada um e sim do quão xiita-radical-revoltado-ignorante você/nós somos. Me digam se isso não aborrece alguém, pelo menos uma, duas ou mais vezes durante o dia?! - Se você respondeu “não”, me passe a receita – temos assuntos sérios no âmbito da política nacional/internacional sendo externados e manipulados a bel prazer pelos meios de comunicação, e pelos comunicadores de meias verdades que atendem aos grupos que sempre aí estiveram, estão e estarão como detentores do eterno domínio no que diz respeito à informação.

Temos besteiras sem precedentes como morte/casamento/nascimento de alguém “famoso” e a opinião de um colunista/jornalista que de repente ganhou o ódio dos fanzines quem andam sempre com suas tochas em punho, a espera de uma caça às bruxas que nunca chega. Temos gente se matando de verdade, por “pouca coisa” (quando na verdade a vida não tem preço), gente se “amando” tanto, vide retratos mundo afora, que até faz mal pra um diabético visualizar tanta doçura vomitada nas timelines.

E de repente, não mais que de repente, envolto nessa aura de fim dos tempos , ainda temos “crises”, descrença, lutas de classes, estado islâmico, conchavos, sertanejos universitários, funkeiros analfabetos, musicalidade perdida inversamente proporcional à contas bancárias transbordantes,edi macedo, exército de deus, malafaias e felicianos. Ufa. Mas, isso é muita informação/desinformação complexa para repetirmos de maneira desenfreada nessa onda de verdades absolutas transversalizadas e opiniões desprovidas de senso crítico. Opiniões essas, que em grande parte são, desmedidas, leigas e semianalfabetas sim, quer você goste ou não.

Não sou do tipo que manda flores, ou compartilha “jesus” só para quem crê, mas também não sou do tipo que aceita superexposição familiar, banalização de momentos íntimos e incitação à violência gratuita. Nesses últimos tempos, é o que mais temos evidenciado, incitação a crimes sendo subcontextualizdos como democracia, liberdade de expressão e opinião expressamente “garantida por lei”.

A paz que eu quero está longe dessa revolta online, dessa burrice travestida de senso comum, dessa falta de respeito (se é que algum dia tivemos) para com o próximo ou consigo mesmo. A vida anda chata demais, difícil demais, curta demais, cara demais, pra ainda perdermos tempo propagando o ódio, ou pelos menos transparecendo que é isso exatamente o que queremos. Ou não. Na verdade nós mesmo não sabemos o que queremos. Sejamos francos!?

Oremos, se valer a pena mesmo acreditar em algo. Olhemos, um pouco menos para nosso umbigo, mas isso se, realmente quisermos sobreviver/viver compactuando de opiniões de maneira consistente e clara, com o mínimo de bom senso e respeito, acerca de algo complexo como direitos individuais de minorias, morte ou vida para alguns, construção/desconstrução abstrata de sentimentos ou algo vago como o chopp quente do boteco da esquina e o juiz FDP que não deu aquela penalidade a favor de seu/meu time.

Vamos nos permitir, questionar, repensar, redesenhar as atitudes, reformular os sentimentos, reinventar a forma de olhar. Que sejamos menos, que odiemos menos, que vivamos mais.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sobre "ligações" mal feitas e suas interferências.

Há mais ou menos 10 anos entrei pela última vez em uma Igreja com o intuito de buscar uma religação com o Divino. Não deu certo. E a (má) experiência só ratificou minha opinião conturbada em relação a todas as religiões pelas quais “passei”. Sou de família com descendência Nordestina, logo todos são de origem religiosa Católica Apostólica Romana. Quando moleque ia à missa mais por obrigação do que por vontade própria. É isso mesmo meninada, na minha época a mãe mandava e a gente obedecia. Pois bem, com o passar dos anos, entre minhas revistas do Conan, Hulk, Batman, Lobo, Homem-Aranha, Hell Blazer e tantas outras, eu lia a Bíblia. Como qualquer garoto que mora numa cidade pequena, eu “viajava” naquelas histórias de pragas, dilúvio, meninos nascidos de virgens, gente que retornava do mundo dos mortos, enfim. Na minha cabeça era um gibi “massa pacas”, só que sem figuras bem desenhadas e quadrinhos descritivos.

Sim moçada, li a Bíblia umas três vezes. Lembre-se que pra criticar ou elogiar algo, primeiro temos que conhecer. A palavra preconceito já é autoexplicativa demais, justamente por se tratar de um conceito prévio, e na maioria das vezes errado, em relação a qualquer assunto que abordamos hoje em dia. E nisso fui crescendo, e construindo aí uma linha de raciocínio sobre religiões, divindades, fé, crenças e charlatanismo. Sim, li muito sobre isso ao longo dos anos, principalmente sobre a estrutura política que existe dentro das instituições religiosas. E isso me dá asco. Sou a favor que todos tenham direito a expressar suas crenças de maneira convicta, mas sem violência, extremismos, radicalismos e charlatanismos principalmente com intuito financeiro. Isso também me dá muito nojo.

A palavra religião, se não me engano, segundo meu querido Professor de Sociologia da Comunicação da Ufac, o Professor Dr. Enoque (Pastor Batista), é oriunda do latim “religare” que significa mais ou menos que a “religião religaria o homem a Deus”. Dito isto, voltemos a extrema necessidade humana de ter sempre algum templo, casa de oração, comunidade, ou algo do tipo, para poder alimentar a “comunhão” baseada nas crenças, que assim atingiria o ápice que seria o contato com a Divindade na qual respectivo grupo “deposita” sua fé. A base da sociedade é a religião, muito mais do que a política, imaginem um mundo sem medo de “castigos divinos, inferno, pragas ou punições eternas em geral”?! Claro, isso é caso não sigam exatamente o livro de regras que nos fora imposto. Seja a Torá, Alcorão, Bíblia Sagrada, Bíblia Mórmon, Bíblia Satanista, qualquer literatura psicografada, por Alan Kardec ou Chico Xavier. Até mesmo seguidores das teorias malucas de Aliester Crowley e os loucos seguidores da “Lei de Teleman” ou os fieis que creem nos “Reptilianos” como se não houvesse amanhã.

Dito isto, que é uma parcela infame para analises acerca de todas as religiões, seitas, grupos secretos etc. existentes em nosso planeta, voltemos ao ponto crucial dessa breve história de experiência decepcionante com os mensageiros do “divino”. Foi um convite recebido por um familiar, para que fossemos à Igreja Universal do Reino de Deus. É amigos, foi difícil pra aceitar, mas como a condição do parente não era das melhores, psicologicamente falando, resolvi dar uma força e fomos ao culto da sexta-feira, cujo o nome é algo como “Não-sei-o-quê dos milagres”, “Não-sei-o-quê-do-descarrego”, ou coisas do tipo. Chegando, fui bem recepcionado. Minha cara de “novato” no espaço deixa os diáconos e obreiros sedentos por um novo membro que irá se converter àquela noite, e será mais uma “alma” resgatada para a obra, o cofre e a tutela dos Pastores que conduzem as ovelhas cegas e enfermas, direto para o abatedouro da fé. Tentei não criticar logo de inicio, mas é quase impossível. Prometo tentar ser mais isento.

Começam as orações e rituais em si, com cânticos e mensagens lidas e “interpretadas” pelo Pastor, extraídas direto das escrituras sagradas e derramadas como “água de esclarecimento” sobre a cabeça dos sofridos que ali estão – Até agora é o texto com mais aspas desse Cérebro –  Tento me concentrar e relembrar como se reza, ora, faz um pedido ou desvia o olhar curioso do “irmão” que tanto berra ao meu lado. Começam as promessas de resolução de problemas, os pactos com a prisão temporária de sapatos (Até hoje não entendi aquela lombra dos sapatos direito) pressão psicológica para doações “espontâneas” e depoimentos de pessoas que parecem ter nascido matando, roubando, estuprando, usando drogas etc. E que agora nada disso importava mais ou marcaria suas vidas.

A parte “bacana” veio: A oração do descarrego. Basicamente somos obrigados a baixar a cabeça, fechar os olhos e orar pra que todos os problemas sejam solucionados como num passe de mágica. É até tocante, no inicio, depois começa a ficar patético. As pessoas que auxiliam no culto se dirigem aos membros que aparentemente estão entrando numa espécie de transe, e ficam em posição “segura a queda”. A essa altura eu já estava com um olho bem aberto e outro fechado, pois dois já haviam caído ao meu lado. E queria ver quem os tinham empurrando. Logo vejo que orações individuais são feitas nas pessoas, e assim que a mão do Pastor toca a testa de alguns estes imediatamente vão ao chão.
            
       Nesse ínterim, observo que caminhando em minha direção vem um senhor que também é responsável pelas orações “knockout”.Ele, de baixa estatura, solicita que eu baixe a cabeça, sobe em uma cadeira, e só assim alcance minha cabeça para efetuar seu trabalho. Percebo que há uma técnica composta por jogos de palavras, gritos repetitivos e um leve empurrão na testa para verificar em que nível de predisposição a cair estamos. Ouve uma pequena pressão impulsionando minha cabeça para trás, não mexi um centímetro sequer. Não satisfeito ele empurra mais forte. Nada. Logo o “Hobbit da fé” pressiona com mais força ainda, abro os meus olhos e a seguir vem um dos diálogos mais surreais pra se ter em uma igreja:

- Se o senhor continuar empurrando vou cair, e se cair quando levantar o senhor vai pegar um soco.
- Que isso irmão?!
- Que isso uma porra, é por isso que só vejo gente caindo, você as empurra seu bibelô do Edi Macedo!
- Elas caem pelo poder do espírito santo.
- Mermão, deixe de conversa, vim aqui como convidado e não vou deixar ninguém me derrubar não, desça dessa cadeira tire a mão da minha cabeça e vá tentar iludir outro com suas “quedas divinas”.
- Pastor temos um “demônio” rebelde aqui.
           
      Falei com a pessoa que me convidara que estava me retirando dali enquanto ainda havia paciência. Ela não entendeu muito, mas tempos depois conversamos e relatei o ocorrido. Resumo da ópera: Os problemas do familiar não foram resolvidos, mesmo após ele ter sido praticamente obrigado a participar de mais uns cinco ou seis cultos, devido o lance dos “sequestros de sapatos”. Soube que se bandeou pra outra igreja chamada “Casa da Benção” onde um dos maiores estelionatários da fé que no estado habita,  conhecido como Pastor José é o proprietário. Nisso, também me convidou a frequentar, mas já não estava mais disposto a participar do “freak show religioso” que o mesmo proporciona. E outra, estava sem dinheiro. De lá pra cá continuo buscando a “ligação” à minha maneira, sem correr riscos de quedas ou trocar a língua mater pela dos “anjos”, que talvez nem os anjos entendam.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Solta o celular e conversa porra!

A frase “sou do tempo” ou “no meu tempo” denota, na maioria das vezes certa experiência e\ou idade avançada.  Tudo bem, quanto a isso não tenho problemas, sou tranquilo em relação a idade (a minha, principalmente). Continuo tendo a certeza que ela é mental e não física, logo prossigo. Observo nas rodas de amigos ou colegas (de trabalho, faculdade, etc) hoje em dia, um certo desprezo por parte de alguns em relação às companhias ali presentes. Calma, não sou o chato que não que não tira a foto com a galera pra postagem #DeOntem. Ou até mesmo o contrário àquela “selfie” com aquele trambolho ridículo criado como acessório tecnológico para os celulares modernos (Vamos falar mais\mal disso em outro texto). Acho até bacana, quando usado de maneira “normal”. Abomino a permuta da gargalhada pura e primal, da piada cretina contada ou criada na hora, por vídeos “engraçadinhos” de redes sociais por exemplo.

Há tempo para tudo. A solidão coletiva\virtual que no dia a dia nos impõem regras de convivência e determina o “certo” e “errado”, não pode ultrapassar a linha tênue a qual delimita nossa vida real em relação àquela outra vida de “faz de contas”. Como disse antes, devemos utilizar dos meios comunicacionais virtuais hoje, de maneira moderada e,  como qualquer outra coisa na vida, se usarmos de maneira exagerada acarretará um problema futuro com toda certeza. Vício é foda, sei bem como é isso. Mas voltando para as observações. Tenho centenas de colegas, mas poucos amigos. Desses os quais sempre que podemos nos reunimos, com três ou mais, ou as vezes apenas dois. Sentamos pra discutir uma ideia, projeto, falar sobre cinema, música, um show que gostaríamos de ir ou só encher a cara e falar sobre futebol mesmo.

Desses poucos, menos ainda continuam ali “presentes” durantes os bate papos, o corpo está, mas a mente ávida pela frase de impacto que deve ser compartilhada, os dedos ágeis como os de um datilógrafo (I’m old school) dos anos 80\90 e a extrema necessidade de receber likes ou mentions, os faz em alguns casos, ter a tão sonhada “experiência fora do corpo”. Sou de uma época em que passávamos a noite com bons amigos, bebidas, histórias e muitas estórias, asneiras sem precedentes, paqueras olho no olho e dúvidas sobre muitas coisas. Hoje temos as “informações dosadas”, os “amigos porção única”, as “repostas” a uma telinha de distância.

Entristeço-me, mas algumas vezes vejo esperança ainda, pois continuo com poucos e bons ao meu redor. E desses, cada vez mais ratifico a amizade, pois ainda podemos sentar e conversar por horas e horas, sem a preocupação de olhar para o celular ou tablet, a  não ser que por ventura, surja um som estranho, como um toque musical.  É assustador, mas vemos que uma das funções primárias dos telefones é efetuar e receber ligações, e ainda existe. Hoje isso é tão raro quanto dizer “nunca ouvi falar disso ou daquilo”. Sempre pensamos que sabemos ou ouvimos falar de alguma coisa. Que pena dos meus futuros filhos e netos, nunca saberão o que é ter dúvidas numa conversa fiada.


E um "viva"à obsolescência programada!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

(Des)Construir

Uma vida inteira baseada em “E se fosse possível?”, quem nunca?! Olhar o horizonte infinito, a noite clara de luar, a luz das estrelas, isso tudo sozinho, nos fazer levantar questionamentos insolúveis e devaneios quase que palpáveis. Tenho a sensação de que é na solidão coletiva, que nos rodeia tão massivamente, onde realmente vemos com mais clareza, pelo menos tentamos, e às vezes conseguimos desconstruir esse roteiro mal acabado que somos ou nos tornamos ao longo do tempo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Haikai dos (Des)Encontros


Sendo assim, claro que procurei
Fiquei indeciso, arredio, ainda não sei
Achei?!

Hum, isso explica o implícito
Confunde o explícito
Revoga as certezas
Agride as dúvidas

Ah, as “certezas”, essas levadas
Certamente a reposta já existe
Mas a pergunta é que define

Encontro sem procurar
Mentira
Procurei sem encontrar

Mas o “bom dia”
O “boa tarde”
O “boa noite”
Fez-se a luz em meu olhar

Sentimento vivo
Reascende a dúvida
Se a certeza da busca

Foi/é realmente te encontrar.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sopro de Mudanças

         Os últimos dias tem se mostrado promissores, em todos os setores de minha medíocre vida. Conheci pessoas, ratifiquei e retifiquei amizades, pedi desculpas, "dei de comer" à sentimentos (Há muito) petrificados. Vi antigas promessas, revivi antigos erros, vivi novos cheiros e sabores. Não sou muito de falar sobre fé\esperança, com ninguém, sempre foi algo meio que um "campo minado" este tipo de conversa para mim. É algo tipo tentar explicar pra minha família que não frequento nenhuma igreja, templo, sinagoga, célula, etc. E ainda assim não ser ateu. Pois bem, minha fé tem crescido, não sei em quem ou o quê ao certo, mas tem sido potencializada e muito.
          
         Passei a visualizar as situações com um pouco mais de clareza e (Ironia vindo de mim, eu sei) sobriedade. Parece que semana passada eu tinha acabado de fazer 18 anos, e de repente tudo ficou expressivo e significantes como se eu tivesse a experiência dos quarentões (Idade desse que vos escreve: 34) com aquele olhar que sabe exatamente o que quer, de resolver situações, que antes eram impensáveis, apenas com poucas palavras. Uma coragem, um firmeza, uma 
auto-estima que antes era algo distante. Crise da "meia idade"?! Creio que não. Acho que apenas uma aceitação maior das vertentes de vida, das possibilidades, das consequências e inconsequências também. Porque, lógico, eu não seria louco de não ser um pouco louco. E decepcionar o querido Bukowski?! Jamais.

          
          Falta algo ainda, eu sei, ah e como sei. Mas depende única e exclusivamente de minhas decisões, meus posicionamentos, de minhas convicções.O "pensar mais em mim" me faz parecer egoísta, mas quem não é?! Vale lembrar que não existem certezas, apenas variáveis quânticas que nunca vamos utilizar quando falamos de sentimentos. Mas que pra parecer um pregador da razoabilidade utilizamos desse subterfúgio composto por múltiplos cálculos e probabilidades. Quando na verdade basta apenas querermos e agirmos. Só aí tudo se resolve. Ainda pareço confuso, eu sei. Mas não vim aqui pra explicar nada, vim pra confundir.

            Não é o último texto desse ano (espero) mas com certeza tem um tom de retrospectiva. Claro, foi um ano atípico, com mudanças bruscas e reviravoltas como que em uma novela da Televisa. Mas no fundo tudo foi bem proveitoso, está sendo bem proveitoso diga-se de passagem. Gostei de aprender (aprimorar) uma nova língua, como disse antes, conheci pessoas e fiz novos amigos,que mesmo distantes tem um significado grande para mim. E isso talvez seja um dos motivos pelo qual meu espírito está tão em paz. Tenho medo quando não estou tenso com algo, fico com aquele pensamente de "vai acontecer uma merda grande esses dias". Quando na verdade deve ser apenas a minha vida sendo renovada (calma, não virei evangélico), mas sinto que tudo vai ficar muito bem de hoje em diante.


         


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Cujusvis Hominis Est Errare

Tá, um jornalista como Xico Sá é burro quando tenta demonstrar seus "ideais" políticos, até concordo, em partes. Como leitor assíduo do mesmo, creio que pela carreira gutemberguiana do cara, lógico que ele não ia bater de frente tão bruscamente com a linha editorial do veículo para o qual trabalhava se não tivesse seus motivos, o qual parece que ninguém respeita. Creio que foi saco cheio, momento "Dia de fúria" com suas linhas futebolísticas-românticas e chefes sizudos. Achismo. Mas daí ver os descabelados cabos eleitorais virtuais, tanto de um lado quanto outro, criticar de maneira mútua Folha and Xico, me faz repensar academicamente como o discurso jornalístico nunca foi aquele bonitinho, ético, imparcial etc que o 1º semestre ensina com tanto esmero.

A teoria se distância da prática cada dia mais, em quase todas as áreas de atuação. A coluna de esportes com subtexto político foi o calcanhar de aquiles antiético da Folha e de Xico. Sim, são duas partes com percentuais iguais de "culpa" pelo rompimento de relações. O que me incomoda, e se não lhe incomoda é porque você é desprovido de senso crítico (ou um simples analfabeto funcional) é o fato de essa brigada armamentista política de "Ou  compactua com minha opinião, ou somos inimigos" existir e crescer a cada dia que passa. Outra é achar que o cara pediu demissão porque o governo tá pagando algo, quer dizer que não se pode ter mais convicções e tocar o foda-se?! Tudo tem que ser pra seguir regras de alguém, coisa ou instituição?! Se pensam assim, tenho pena de vocês, mentes lineares e mal acabadas de 8bits.

Vejamos, o cara errou feio, errou rude, ao bater o pé e querer publicar algo onde não devia. Humano, e muito, como ele é, porque não haveria o direito de pisar na bola, de frescar, de xingar e se esbaforir em rede social?! Direitos ele tem. A Folha também. Logo, os dois foram vitimas do extremismo que hoje assola por todos os cantos tipo um “Ou você é Bahia ou você é vitória!”. Pra quê isso, e se quiser apenas ser amante de futebol e não apaixonado por time A ou B?! Meio termo deixou de ser um direito e passou a ser defeito, há muito, e com maior força desde as últimas eleições pelo menos. Concordar discordando, elogiar criticando, faz parte de qualquer linha de raciocínio que possua o mínimo de bom senso.

Iria publicar esse texto antes, mas com certeza eu seria taxado de “reaça” ou “coxinha”. Mesmo deixando claro que foi babaquice de Xico e intransigência da Folha o fato do texto do cronista não poder ter sido publicado no caderno de esportes. Não é o fato de que “não podia”, concordo que não deveria ser publicado. Mas se fosse você, ou eu, e não visse uma mera comparação de FlaXFlu e eleições como uma menção escancarada de voto em X ou Y, apenas aproveitaria o espaço, a fama, as condições, o veículo em si o publicaria na coluna “Opinião” e pronto?! Emprego mantido, todos em paz, sem brigas ou polêmicas com os acéfalos facebukianos e happy end pra todos. Mas ele não o quis, errou, pagou pelo erro, é um direito dele, e discordar é um direito nosso. Simples assim.


P.S. Na guerra dos adjetivos salgatinescos sou “Quêbe de Arroz”. Sem mais!

domingo, 21 de setembro de 2014

Haikai no chão, levanta, se joga e vem

Vontades se fazem de coragens
De mais ou de menos
Basta tê-la
A força vem das várias “mensagens”
Da vida que lhe importuna, me importuna

Só querer sentar, conversar e ter
Com você, você
É pedir demais, uma simples alternância?!
Só, não “só”
Mas pra na verdade lhe ter

Você já percebeu que quando eu te vejo
Sim, transparece o desejo
Quase que incontrolável
Mas altamente enfático
Logo, eu perco o chão?!

Mentes, as nossas
Interligadas
Corpos, os nossos
Entrelaçados
Mente eu?!
Mente você?!
  
Posso sim, tentar me adaptar
Mudar, claro
Um pouco
Sempre, é, foi e será potencialmente
Muito perigoso

Então vem
Deixa os outros falarem
O que é que tem?!
Filmes sem graça
Passear na praça
Claro, se isso nos fizer bem

Porque não?!
Então, vamos na contramão?
Deixa tudo
E definitivamente

Vem!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Decadance Avec Elegance

Imaginem um sábado, boas companhias, lugar agradável e cheio de gente interessante. Imaginaram?! Pois é, tirando o fato real das boas companhias (pessoas que estavam comigo, é claro) o resto foi um apenas um freak show de entretenimento e massificação da futilidade humana. Calma, eu explico. Cada vez mais as figuras humanas vão perdendo a essência no que diz respeito à humanidade em si, a exteriorização de padrões revela isso o tempo todo, seja nos filmes, TV, internet ou na balada “da hora” que você vai meio como que entrando de gaiato num navio. Mais uma vez fica comprovado que essa superficialidade deixou de ser direito apenas dos “desprovidos” de capacidade de raciocínio lógico, Q.I alto e\ou disfunção cognitiva.
Estou falando de uma das milhares de “calouradas de medicina”  que ocorrem quase que semanalmente aqui na Bolívia. São festas caras (para o custo de vida no país) sempre cheia de gente que está dentro dos padrões de beleza inútil, se você não for uma atriz pornô, ou um michê profissional. Fui ao local por querer conhecer e beber um pouco também, mas já tendo uma ideia do que iria encontrar. A festa era é uma das mais concorridas, pois teria a presença de uma sub-celebridade que havia participado de uma das edições do “império do grotesco” chamado Big Brother Brasil. E como quase todo ex-famoso, intitular-se DJ é algo tido como lei, no que diz respeito à engenharia social que eles precisam fazer antes que o ostracismo ou uma overdose os consuma. Sendo que na verdade isso, sob minha ótica, é um insulto para com os verdadeiros profissionais da área.
Mas, o foco não é a pobre moça ex-sei-lá-o-quê que veio e apertou o “play” no toca-discos da boate, e sim o público. Ah o público. Quanta gente bonita (por fora), os futuros médicos brasileiros, sim, aqueles mesmos que dizem que a sua pancreatite não passa de uma indisposição estomacal ou falta de ingestão de água. Sim, aqueles mesmos que lhe consultam olhando pras receitas, e antes que você termine de falar: Pof! Virose! Mas quem sou eu pra julgar o profissionalismo de alguém, pelo simples fato de ele estar altamente  fora de sim em uma balada, ingerindo bebidas alcoólicas e drogas dos mais variados tipos?! Pois é, não é esse o objetivo. (momento falso moralismo detected).
O que vi, o que ouvi, o que fingi não ouvir, o que ri. Sim, tudo isso numa noite que acabou até cedo, para a pompa que a festa aparentava ter. O que mais me surpreende são as segregações padronizadas iniciais, como em todo local, no Brasil também, as tais subdivisões em alas: VIP, Camarote e pista. E isso é notório, cada ala tem seu público específico, e que faz juz ao que está sendo ofertado em cada setor dos estábulos das vaidades. Ficamos na pista, lógico, as alas mais caras são muito cheias sempre, a bebida é quente, e sempre terá gente filando sua cerveja, uma vez que o dinheiro que a pessoa tinha deu apenas pra pagar o local que lhe proporciona a visão “de cima”. Porque encher o ego com uma visão privilegiada é mais importante do que se divertir com amigos e\ou colegas.
E nisso foi rolando a festa, com as musiquinhas propícias das baladas mais teens (momento old boy detected), me recuso a dizer os ritmos e as músicas tocadas ,primeiro por não saber nome de quase nenhuma música, segundo por ferir meus princípios musicais, quando estou sóbrio, é claro. Mas voltemos ao fantástico mundo dos “estudantes”. Existe uma raça que tenho muita aversão, e cada dia que passa ele me decepciona mais, e nesse meio tempo minha fé é transferida dela para os animais: A raça humana. E dentro dessa raça, existem várias vertentes comportamentais, classificadas em grupos, em tribos, em modo de vida, etc. Uma delas é a “raça” que mais me causa nojo: Playboys. (Sim, sou intolerante a medicamentos, animais peçonhentos e a Playboys).
Uns logo acima, esbarrando em todos, com suas camisetas coladas, mostrando que academia está em dia, outros com suas panças enormes na camisa (também coladinha) “Armani” demonstrando que a conta bancária está no a azul. São os donos da festa, são o centro das atenções, são os mais cobiçados pela nossas futuras doutoras (Que Odin nos proteja). No intervalo entre uma música e outra se ouve alguns bate papos entre os presentes, dos mais variados tipos de conversas até inicio de pequenas discussões acerca do litro de uísque que alguém derrubou. Com meu copo de cerveja observo, e vejo algo quase que imperceptível se você foi ali realmente pra se divertir. Percebo o vazio naqueles olhares perdidos, que buscam algo que não são as mulheres\homens ali presentes, não são os uísques caros, os energéticos ou a cocaína com suas “carreiras” voluptuosas em cima das mesas na ala dos “very important personals”.
Será que estava vendo bem, ou era só mais um bêbado em meio a tantos, transferindo as próprias frustrações e o vazio que o ambiente trazia para materializar no outro, e não saber exatamente o que esse ou aquele olhar perdido buscava?! Não sei. Mas por um momento tive pena de alguns rostos, tive pena de algumas atitudes, tive pena. Nada mais. E isso me fez em meio àquele furacão etílico-sonoro mais uma vez levantar o questionamento sobre o que de fato vale a pena, sobre essa eterna buscar por ser feliz, que importância isso realmente tem, que ações podem ser classificadas como decadência humana ou como atitudes altruístas a ponto de nos sentirmos úteis, orgulhosos de si, e não nos culparmos por nada ou tudo que foi feito. Mais uma vez as perguntas remontam\desmontam uma simples noite de bebedeira. E nisso a festa vai rolando.
Vejo princípios de confusões, empurrões, agressões verbais dos mais variados tipos. A turma do “deixa disso” está presente e a ex-alguma-coisa já está pra entrar no palco, percebo pelo frenesi de máquinas fotográficas e celulares em punho num corrida contra o destino até chegar próximo ao local onde a moça irá fazer seu “show”.  São por volta das 00:45am, permaneço praticamente inerte, no mesmo local que cheguei e estrategicamente próximo ao bar e banheiros, isso é o conceito de estratégia, pra quem bebe, é claro. Showtime! Gritos, empurra-empurra eufóricos muitos descem do camarote, atravessam a pista para poder tirar uma foto com a “estrela da noite”. Eu apenas sorrio, amigos que estão ao meu lado não entendem muito, apenas sorriem de volta com aquele olhar de “esse cara tá bêbado já”.
Trinta minutos, creio eu, que tenha sido esse o tempo de duração da apresentação ,que ainda não sei direito o que foi, da ex-bbb. Não citarei o nome pois não lembro, e também seu nome não é representação de nada, nem para ela e nem para seus fãs. Imagine você ser reconhecido como o “Filho da fulana”, “Mulher do fulano”, “Irmão do”. Pois é,  essa é a premissa básica de quem adota o ex-alguma-coisa como nome, perde-se primeiro a dignidade na super-exposição a qual você se propôs por dinheiro, para em seguida perder parte da identidade (pelo menos por 6 meses).
Até agora não entendi mesmo o que ela veio fazer numa cidade boliviana, numa festa patrocinada por calouros de medicina. Será que a “carreira” não está sólida, será que a revista para qual pousou não rendeu o esperado, será que é apenas a “endorfina da fama” que ainda permanece no seu organismo que faz com que a pessoa aceite qualquer tipo de proposta para expor a imagem, nem quem seja por meia hora. Ou será que havia algo além, nas entrelinhas, no contrato de “serviços” que não percebi e\ou não vi. Será?!
Todavia não importa. Mais uma vez vemos a derrocada humana, pessoas ébrias, esbanjando o que aparentam ter, gente submissa à situações, outros dignos de tapas na cara dados pelo Capitão Nascimento, alguns apenas matando a saudade de casa ouvindo as “modas” brasileiras, gente fugindo da sobriedade e tentando achar respostas no fundo do copo de cerveja, muitos fazendo suas “selfies” pra serem vistos, curtidos e compartilhados. Por que fazer isso não sei. Fui um dos “mais dos mesmos” a serem encaixados nessas diversas vertentes de pessoas presentes. Me diverti, não serei hipócrita a ponto de dizer que não. Afinal somos todos suscetíveis, o ambiente nos transforma, por muitas vezes nos consome. O que realmente podemos taxar como decência, postura, certo, errado, se o momento é tão superficial que mal conseguimos lembrar dos nomes das pessoas. O que estar no topo, quando é estar no topo, e o que de fato é a decadência!?

E aqueles olhares perdidos no vazio do caos noturno, de copos cheios e de companhias solitárias ainda me intrigam muito. Muito.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Pessoas vão, pessoas vem, pessoas ficam

Tenho poucos amigos, mas bons, muito bons. Quando já passamos dos 21 aninhos essa seleção parece que vai ficando mais rigorosa e natural. Discernimento, bom senso, pode dar o nome que quiser, eu prefiro chamar de vivência. Certo. Amizades, com “A” maiúsculo se contam nos dedos hoje em dia, de fato há cada vez menos pessoas confiáveis o suficiente para serem denominados verdadeiros amigos. Comecemos por família, todos os seus familiares são seus amigos? Duvido muito. Pois se a resposta for “sim” você precisa ser entrevistado pela Marília Gabriela ou Jô Soares. Isso será um fato inédito na sociedade pós moderna contemporânea. Pois bem, falando desse modo parece que soa meio preconceituoso para com os parentes e aderentes, mas não, não é.
Há muito venho tentando delimitar parâmetros que definam qual tipo de relacionamento tenho com as pessoas mais próximas a mim. Não pense que é fácil, pois ao mesmo tempo em que tenho certeza de quem é “Brother” sem titubear, as dúvidas acerca de quem classificar como “Amigo” beiram à crise existencial. Mas é engraçado, quando crianças, todos praticamente éramos amigos, no sentido puro, o que definia bem isso era um pedaço do quibe dado na hora do recreio ou o convite pro videogame na casa do mais afortunado da turma. Não precisávamos de muita coisa pra dizer: Esse aqui é meu amigo.
Pulamos pra fase boa das descobertas adolescentes, inconsequentes e na maioria das vezes bastante conturbadas. É aí que o conceito de amizade ganha outras conotações. Amigo de verdade passa a ser aquele que lhe convida pra ir à boate, mesmo sabendo que você tá sem grana, e diz “Relaxa, pago hoje, quando você tiver grana você paga pra mim”. Desses “Brothers” tive muitos, e fui um dos tipos também. Valores diferentes, épocas diferentes e definições de amizades diferentes. Então começamos a enxergar o mundo sob outro prisma, que não o adolescente, e logo a paleta de cores vai do amarelo ouro aos tons mais cinzentos e escuros no que diz respeito à amizade. Isso é meio chocante à principio, mas depois vemos o quanto nossos pais tinham bastante razão sobre quase tudo.
É neste exato momento em que “redescobrimos” a família (Pelo menos comigo foi assim) e o irmão (ou irmã) mais velho de repente não é mais aquele cara que parecia querer apenas mandar, e sim uma pessoa que pode falar com você, e o melhor de tudo disposto a te ouvir. Isso é espetacular. Já estamos naquele momento de buscar um norte, e a conversa com a mãe e o pai já não é tão conturbada quanto antes, lógico que existem assuntos que jamais seu amigo da família vai entender, logo, melhor deixar pra falar com os outros amigos. E nessa troca de conhecimentos familiares, agora fazendo mais sentido, começamos a diagramar o nível de amizades e coleguismos. Colegas de faculdade, de trabalho, de academia (não é o meu caso), colegas de bar (SIM, é o meu caso), colegas de infância e os amigos.
Não consigo contar quantos colegas tenho, já pessoas amigas contando com as duas mãos ainda sobram alguns dedos. Depois de quase conseguir definir\classificar os níveis de amizade\coleguismo ainda tem uma das coisas mais difíceis para um homem: Quais mulheres (que não são da família) de fato são suas amigas, quais são suas colegas, e quais são apenas conhecidas. Sem entrar no tema antigo e machista de “homem não tem amigas”. Claro que tem, mesmo que seja com “benefícios”, mas tem. Como saber que uma pessoa pode ser amiga de verdade, é difícil, mas basta observar algumas atitudes e momentos cruciais e então tiramos as conclusões com base no feito ou no que se deixou de fazer. É claro que não se pode haver cobrança numa amizade verdadeira, é amizade e não casamento, é bom lembrarmos sempre disso.
Nos últimos tempos, mais precisamente nos últimos oito anos, conheci pessoas que se tornaram meus colegas, outras apenas continuaram como conhecidas e algumas foram como se nossas almas já tivessem sido amigas em outro plano astral, universo paralelo, ilha de lost, matrix ou numa camada bem densa de uma “inserção”. O simples fato de começarmos a conversar e nos darmos bem, termos muitas divergências em relação a algumas coisas e ao mesmo tempo termos tanta afinidade sobre os mais variados assuntos fez com que novamente eu redefinisse meu conceito sobre o que é a amizade.


 Contudo, todavia, no entanto meus caros (e poucos) leitores, tenho tido cada vez mais certeza de que a amizade é nada mais nada menos do que a condição de compartilhar experiências (não aquelas em uma rede social), ser solicito, mesmo longe tentar estar “presente”, mesmo sem ter contato por um bom tempo ainda rir e se abraçar quando novamente se encontrarem, discutir rispidamente sobre uma cagada feita e\ou oferecer um ombro num momento de dor ou frustração. Não é preciso estar juntos “24 horas por dia” para sermos\termos amigos, muitas vezes basta uma pequena palavra, ou mensagem durante o dia, ou um telefonema bêbado na madrugada, ou aquele visita chata na hora do almoço de domingo. Porque amigo que é amigo não precisa ser convidado, não precisa ter vergonha um do outro e não precisa ter compromisso, apenas respeito mútuo. E para isso é preciso saber cultivar esse sentimento cada vez mais raro: A amizade.

domingo, 17 de agosto de 2014

Mudar as dúvidas, sem nunca deixar de tê-las



     Pensando com meus botões da camisa, já bem amassada, um questionamento me ferve a mente, um no meio de tantos que me explodem o cérebro todos os dias, nossas escolhas são nossas mesmo, ou na verdade não passam de uma junção de palpites alheios, suposições, divindades ou entes que "controlam" tudo,
e/ou conselhos de alguém que é de fato significante em nossas vidas?
Temos que aceitar o que somos. Vivo "pregando" isso, e agora bate uma vergonha minha ou alheia, não sei ao certo, de ter que pensar(Agora sim) ou melhor repensar com razoabilidade e não com fogo dos sonhos alheios e emoções compartilhadas, uma decisão tomada apenas pelo impeto de mudar por mudar. De maneira pura e simples.
Uma pausa nesse papo de "arrependimento emo". Enquanto escrevo, a playlist taca um
Creep - Radiohead, daqueles que fazem sentir  falta do que nunca nos pertenceu. Sabem como é isso, não?!
Pois bem, onde estávamos... ah tá, vergonha das escolhas. É isso. Então, já com mais de 30 e ainda se deixar levar por emoções, se é errado não sei, só sei que é incomodo. Não me importa o pensamento alheio, me importa a instabilidade nos meus pensamentos, nas "minhas" escolhas. De repente, você se vê contra a parede, com dedos em riste nos mostrando o "caminho", mas a estrada pode ser de tijolos amarelos no seu prisma, e se eu for daltônico, como fica? De pontos de vistas "corretos", boas intenções e pastores da universal o hell ta lotado. Um fato é, nunca faremos somente aquilo que gostamos, mas não é errado se empenhar para fazer algo onde se encontre prazer, mesmo que seja na mais ralé das "posições sociais". Algumas das pessoas mais felizes no mundo voltam pra casa à noite sujas e fedendo, vindo da labuta.
Uma luta de onde não sairemos vencedores não faz tanto sentido assim. Calma, isso não é um texto suicida. É só um pouco de devaneios, mas nada preocupante. Eu acho. Vamos lá. Então se não podemos ser responsáveis por nossas escolhas pra quê esses papo de livre arbítrio, se todas as vezes que temos algo pra decidir pensamos no impacto que isso irá causar no outro, e não no bem/mal que irá causar em nós mesmos? Sei, você dirá que o nome disso é responsabilidade. Mas não seria algo mais complexo, uma questão mais transversal do que simplesmente uma palavra que representa uma ação consciente?
Poder fazer escolhas, repensar, fazer de novo, fazer melhor deveria ser tão simples quanto respirar. A angústia das escolhas erradas é tão ruim quanto o direcionamento alheio ou o empurrão próximo para o caminho "certo".  Frustrações a parte, preciso mudar, eu tenho que mudar, mas será que eu quero mudar?! A maioria das infelicidades é acarretada, de fato, quando pomos em xeque se tudo que fazemos vale mais a pena para os outros do que pra si. Existe destino, fatalidade, caminho traçado etc? E porque não ser uma metamorfose ambulante, deixando de ter aquela velha opinião formada sobre tudo?!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A Playlist nossa de cada dia



Jamais posso ter a pretensão de falar tão bem de música quanto meu amigo http://seringueirovoador.blogspot.com e suas críticas mais do que bem escritas. Mas em meu atual “way of life” senti a necessidade de escrever sobre musicalidade, não música em si, com terminologias técnicas e sonoridade descritiva de maneira aguçada (O que não é bem o meu forte). O dia começa aqui com aquele frio cortante e uma condução bem lotada. Nada melhor que nosso companheiro ou podemos chamar de “membro” artificial chamado fone de ouvido. Melhor do que ele pela manhã bem cedo só café, bem quente e amargo. Celular + fone de ouvido me faz sentir aos poucos a mudança no tom e na cor da viagem (Que dura em média 50 minutos). Na playlist copiada direto do computador (sempre às pressas e sem seleção pré determinada) há de tudo em matéria de gêneros musicais. Saio de casa, fones no ouvido, aperto o “play aleatory” e vamos à luta.
Dependendo do dia, da hora e do quão lotado está o transporte, as músicas vão preenchendo o vazio da saudade sentida, ou abrindo cada vez mais o buraco negro da solidão (Piegas, eu sei) minha companheira tão assídua nestes últimos tempos. Mas vamos hablar de canções. Quando a seleção musical quer sacanear começa com Tracy Chapman e em seguida pula pra Elton John ou qualquer uma do Bee Gees. Às vezes isso faz quase uma lágrima rolar involuntariamente do rosto. Mas tem também os dias “suicidas” (Força de expressão, não se preocupem) que começam com Radiohead, Blink182, Maria Rita, Elis Regina. Sim, ouço tudo isso, mesmo sem saber que as tinha “baixado” nos torrents da vida.
Ah, agora se o dia amanhece “FDP”, a playlista como que numa ligação neural direta com meu córtex manda de cara um Metallica, AC DC, Deep Purple, Rush, Queen, Pink Floyd e Engenheiros do Hawai. E de fato, aqui (Cochabamba – Bolívia, ou só país do Evo Morales) existem dias bons, dias ruins, e existem simplesmente dias. Divagando no Truffi (Nome dado ao busão daqui), pensar na origem do universo ou de onde viemos e para onde vamos é fichinha, diante da controversa cabeça  que vos escreve. Tão cafona quanto o cantor Leonardo, vejo a estrada passando e me vem à mente\playlist “...vou sem saber pra onde nem quando vou parar...” e de repente um buraco ou frenagem brusca meio que interrompe o transe cafona made in puteiro em João Pessoa, e vem Seu Jorge, só pra lembrar que eu sou brasileiro, ainda.
Não obstante, e não menos importantes são os reis, Roberto e Reginaldo, que fazem por vezes, com suas canções, o gosto da cerveja surgir na boca, e isso tudo às 7:30 da matina. Entre uma música e outra ouço o som da condução, tão chato e non sense quanto aquele(a) funkeiro(a) sem fones de ouvido nos ônibus do Brasil. Mas isso logo passa, e vem as próximas melodias, isso mesmo, melodias. Paulo Sérgio, Bartô Galeno, Evaldo Braga, Evaldo Freire, Agnaldo Timóteo e mais uns 20 ícones da MPBrega. Não, não sou tão velho, mas também não sou da geração whatsapp, mas gosto muito da chamada era de “ouro do brega”. Herança paterna isso, pois as tardes de sábado no fim dos anos 80 foram marcadas pela audição involuntária de vinis e mais vinis de “bregas apaixonados” como meu pai dizia, na velha e boa “alta fidelidade” (Aparelho de tocar discos, eletrola) tocando sempre em volume máximo.
Um arquivo corrompido aqui, outro ali, e logo chegamos a Raimundo Fagner e Amado Batista, a saudade de coisas, contos e casos só aumenta. Seguimos viagem. De repente Nando Reis me faz torcer pro segundo sol chegar logo, Cassia também dá o ar da graça cantando Chico Buarque (Gosto mais das músicas dele na voz de outros interpretes, segredo tá?!) e encantando o caminho composto por pedras e poeira. Os “Zés” Ramalho e Geraldo, sempre refazendo a caminhada mental e trazendo a reflexão semântica e semiótica sobre a mediocridade do ser, que corre, cansa e às vezes nunca alcança. Sim, a velha força falsa de um cartão de crédito ao invés de um fio de bigode é que guia esses caminhos de boiada e essa vida de gado que vivemos.
Nisso me vejo sendo aquela metamorfose ambulante, e como que num ciclo musical paradoxal, não sei se estou ouvindo a música ou se a canção está apenas potencializando e materializando um desejo de vivência.  Estamos próximos, vejo o cemitério, uma mão em um dos bolsos para separar as moedas e assim a pequena odisseia matinal termina. Bate meio que uma tristeza, por saber que o mundo a partir daquele ponto não me permite mais apreciar a beleza do caminho, com tantos sonhos e leveza no olhar ainda perdido e sonolento. Começa o dia de verdade.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Às voltas com o (meu?!) mundo parado.

         Incrível é conseguir começar pela primeira vez a escrever algo sem definir título antes. Talvez seja porque a mente está cheia de muita coisa e não sei direito onde tudo isso vai parar. Mas hoje não sei mais se vou falar de flores (eu já escrevi sobre isso por acaso?!) e nem falar só de espinhos. Quero falar de uma vida, uma história, e não é necessariamente a minha. Não, eu acho que não é. Perceber quando tudo vai mudando lentamente e que determinadas situações voltam a acontecer é que mais mete medo em muita gente, e em mim também.

            Certa vez uma pessoa conheceu outra pessoa, que achava ser a solução pros seus problemas, uma válvula de escape, ou alguém que fosse manager das organizações Tabajara no que diz respeito à solução de problemas alheios. Mas não, não era. É impressionante, e às vezes chega a ser hilário, como tendemos a achar “gente” pra ser a solução de algo que só depende única e exclusivamente de uma pessoa: Você/eu mesmo. Não, eu não curto Augusto Cury, apesar do papo aqui estar caminhando pra isso.

            Existem momentos onde temos a certeza que nada vale muito à pena, e que jogar tudo pro alto ou torcer para que o dia “21/12” realmente aconteça. Isso nos leva a crer que perdemos a fé em si (paradoxal eu sei) e que tudo que queremos é de fato um botão de reset (Nunca diga restart!) pra ver se as coisas mudam.

            Rever os conceitos sempre é bom, apesar de parecer propaganda de carro. E por mais absurdo que pareça estou querendo empregar isso em muitas coisas pra ver se realmente os “gurus” tem razão. Perceber que a vida tá rolando e que vários cavalos encilhados passaram e não pudemos montar, isso é chato, mas não é digno de arrependimentos. Acho que não devemos nos arrepender de nada, devemos é pensar, repensar e tré-pensar (acho que inventei isso agora) nas atitudes e consequências, causas e efeitos, ações e reações e por aí vai. Mas isso não nos impede de errar um bocado, na verdade certo ou errado depende de um ponto só: o de vista. E esse é mais relativo do que tudo no mundo.

            Esse enrolation/embromation todo foi só pra dizer que a mudança chega pra todos. Receber o “nuevo” de braços abertos é uma decisão que cabe a cada um. E no começo, disse eu, que não seria algo sobre mim, mas é sim, é sobre minha perspectiva de mudanças, que nunca chegavam por falta de coragem (o que ainda não tenho de sobra, quando o assunto é sair da zona de conforto) e enfim este dia chegou. Não digo que larguei tudo, ou joguei tudo pro alto, não foi bem assim. Fiz o que tinha de fazer no momento certo, eu acho.

            Agora estou eu às voltas com as novas condições, significações e exclamações sobre os novos trilhos que surgem à frente. Faz pouco tempo, mas já dá pra ter uma noção de que a escolha foi exatamente meio a meio, me cabe alimentar/trabalhar/modelar/recriar a parte do “dar certo” e fingir que a outra probabilidade irá zerar ao longo do tempo. Convivo agora com pessoas diferentes e de hábitos peculiares. Gosto de parecer seguro (machismo, eu sei) o tempo inteiro, mas em poucos dias já me perguntei se a escolha foi certa, ainda não me permiti responder, mas a vontade de mudar de vida é maior do que qualquer dúvida. Ficar parado não é a solução, se jogar de um penhasco procurando aventuras também não.


            Quem nunca, em longos devaneios etílicos ou não, sonhou em ter um Delorean?! Mas o lance de voltar no tempo resolveria, ou só daria um rumo diferente para o inevitável?! Não acredito em destino, sina, karma, essas coisas todas. “Boa sorte” não é uma opção plausível hoje em dia. Acredito que devemos fazer o que estamos aqui para fazer. Seu tive coragem, vocês também terão. Mudem, porque quando a gente muda o mundo muda com a gente.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Sobre uma "Wendy" da vida real

Controvérsias à parte, uma Wendy surgiu
Garotos perdidos continuaram perdidos
Meninos briguentos continuaram encrenqueiros
Ela dona, sim A Donna, de sí
Do alto de sua nobreza intelectual
Jamais revidou comentário corriqueiro

Já pensou uma amante de bucaneiros
Lidando com capitães “malvados”
Que mal superaram o trauma de um abuso
Coloca a palavra em uso, desuso (mal uso)
Enfim, para ratificar uma opinião?!

Basicamente algo não tão irrelevante quanto penso
Não tão físico quanto mental
Um ato estúpido
Uma sucessão de tropeços
Será, serão todos eles frutos dos mesmos erros?!

Não é essa a questão, há uma progressão
De deslizes e falácias
Donna das tardes tão frias do inicio de março
Que trota quando quer, para ignorar os ignorantes
Isso sim é reposta, o silêncio descendo junto
Para aqueles que, se confrontados, descobrem que não possuem o dom

Aquele da palavra falada, ou escrita (sim aquela mal dita)
Discursos vazios revelam muito
Do pouco que o outro possui
Da mente perturbada, pelo trauma de infância, ou não
Do argumento furado de quem não curou uma cicatriz
Dela não espere resposta, apenas reação
Agir por fogo com ferro à mão
O bufão que rebateu é o mesmo que foge pro quarto dos pais
Naqueles dias de trovão

Uma bela e imponente trotadora
De crinas reluzentes em rubro
Não sei, mas acho que no fundo a resposta pra isso tudo
Seria só sua a resposta

Seria seu o ponto final