quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Uma dose de bom senso para a hipocrisia nossa de cada dia




Os dias andam nebulosos. De repente todos resolveram assumir suas mesquinharias disfarçadas de opinião embebidas nos barris do senso comum. A quem diga que isso é normal. Mas, em se tratando de “normalidade” o que não o é na atual conjuntura?!

Não existe paraíso, sabemos que não. Gostamos de mentir pra si, é confortável, aconchegante e engorda. Culpados, precisamos de culpados, precisamos apontar, de aprontar pra cima dos que vão de encontro às nossas opiniões, convicções, religiões. Tá tudo indo na contramão da evolução, e olha que Darwin dificilmente erra.

Falta bom senso nas falas, posturas, atitudes e sobra açúcar nos cafezinhos que a vida nos traz. É pra temer? Sim. Com certeza. Imagina só uma gama de seres pedindo, quase que implorando, através de um discurso batido e neandertal pela volta do autoritarismo!? - Porque naquele época tudo era bom(Quase aquela capa da revista das Testemunhas de Jeová cujos vendedores/pregadores acordam vocês aos sábados).Eles dizem.

Vemos isso ganhando força por culpa de várias situações, que de fato corroboram para a revolta coletiva, digo, seletiva. A sensação de injustiça faz com que bandeiras de radicalismos/extremismos ganhem adeptos. Isso é ruim, muito ruim. Vejam as chamadas “mídias sociais”, que mais parecem júri, juiz e carrasco (não necessariamente nessa sequência), todos os dias um condenado, todos os dias um culpado, todos os dias um suspeito, todos os dias um “pra quê direitos?!” Pra nós, meros mortais, pobres de espírito e economicamente inviáveis? Acho que não.

Tento entender qual a necessidade de se provar, comprovar, ratificar as “verdades” que cada um traz de si como bagagem nessa viagem de encontros e desencontros que chamamos de vida, confesso que não consigo. Fico triste pela falta de tato nosso com o que de fato importa: Respeito. Não chego nem no âmbito complexo dos “direitos e deveres” que norteia boa parte da sociedade pós moderna. Falo de respeito pela figura humana. Respeito, simples puro e primal.

Para uns respeito é ração humana, para saciar uma fome física, mas não aquela fome de dignidade, essa, foda-se. Para outros trata-se de guiar-se cegamente pelas várias cartilhas de “regrinhas” escritas e traduzidas a bel prazer a mais ou menos dois mil e tantos anos. Mas o que seria de fato? Se trataria apenas de respeito às decisões cuja a plurisignificância não tenham impacto no espaço alheio? Pode ser, mas pode não ser só isso.


É mais complexo, exige raciocínio. No entanto, em tempos recheados com delírios coletivos enlatados, comercializados nas prateleiras do ódio travestido de senso de justiça, isso é quase impossível. Sim, é “impossível”, esse tal negócio de pensar.

domingo, 12 de março de 2017

Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei...

Pequeno dicionário líquido de atitudes para você não se tornar um pau no cu em 2017:
Não quebre imagens.
Não meta a faca(figurativamente ou literalmente) em "pilantras da fé".
Não agrida verbal ou fisicamente ninguém que tenha uma crença diferente da sua.
Não vandalize centros de umbanda.
Não critique quem acredita em reencarnação.
Não seja radical/extremista.
Não seja xiita/sunita você não vive a realidade deles.
Não tente empurrar goela abaixo suas verdades absolutas.
Não seja hipócrita.
Deixe cada um acreditar no que quiser, seja ele/ela um amiguinho imaginário que vem sobre as nuvens(Goku?!) ou um obeso mórbido que prega a paz de espírito com disciplina e auto controle.
Deixe cada um viver como bem entender.
Pare, respire (cuide do próprio rabo) e viva a sua vida.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Maestro, qual é a musica?!

Biltremente
A dama desprovida de malícia
Ligou-se conosco
Apenas para recrear-se

Biltremente
Apresentou feições necessitadas
Envolta com o mavórcio
Iniciou-se a perverter

Biltremente
Danou-se a caminhar rumo à residência
Informando sobre chamado matriarcal
Ocasionalmente nos encontraremos pela cidade

Nossa lasciva!
Justo no momento de ser agraciada com lenha
A dama danou-se a caminhar rumo à residência
Deixou um comunicado para minha pessoa

(Ocasionalmente nos encontraremos pela cidade)
(Ocasionalmente nos encontraremos pela cidade)
(Ocasionalmente nos encontraremos pela cidade)
(Ocasionalmente nos encontraremos pela cidade)

Nossa lasciva!
Justo no momento de ser agraciada com lenha
A dama danou-se a caminhar rumo à residência
Deixou um comunicado para minha pessoa

Biltremente

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Encontros & Desencontros

Ele insistentemente piegas
Ela definitivamente fofa
Ele puxa assunto com aqueles “papos de taxista”
Ela responde com a delicadeza que não aparenta ter

Ele “irritantemente” romântico à moda antiga
Ela sem frescuras, papas na língua, meias palavras
Ele sofrendo antecipado com possíveis percas futuras
Ela esbravejando com punições presentes oriundas do passado

Ele singularmente elogioso, com segundas, terceiras e quartas intenções
Ela respeitosa, firme e bem consciente do que pode ser ou do que não o é
Ele tentou mudar radicalmente, fugiu, mas voltou
Ela disse que sofreu, tentou, buscou, aprendeu, seguiu

Ele evidentemente não é mais o que um dia pensou ser
Ela é mais do que um dia sequer ele cogitou observar
Ele encontrou amores animalescos
Ela bateu de frente com um flerte perdido em meio ao caos das timelines da vida

Ele frequentemente segue aparentando ser altivo, decidido e firme
Ela segue sendo tudo isso
Ele é quase um covarde em tempo integral
Ela cheia de dúvidas e com razão, ou não

Ele particularmente cheio de verso e prosa
Ela suspirando e sorrindo, por enquanto imaginando
Ele desconstrutor de “verdades absolutas”
Ela uma dócil e rústica (quando precisa) sonhadora de pés no chão

Ele verdadeiramente voraz
Ela é delicadeza e suavidade na voz, mesmo “com fome”
Ele alucinado por perguntas
Ela louca por respostas

Ele inocentemente (não tanto) se abriu como nunca o fazia
Ela atenta e receptiva em contrapartida
Ele chama, instiga, “castiga” nas horas (talvez) mais impróprias
Ela sorri, com lábios rubros e misteriosos, iluminando as manhãs cinzentas e chuvosas da alma


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Breve Poeminha Sobre Saudades Chuvosas

Rubros lábios contrastando com céu cinzento
As "loucuras" propostas não foram concebidas/realizadas
Não sei se faltou coragem pra fugir e "nos raptar" desse cotidiano de obrigações e chatices diárias
O bat-sinal não foi lançado aos céus como alegoria de um pseudo-socorro
Mais uma vez a saudade do que nunca tive me corrói
Me destrói
Me desconstrói
Me reconstrói
Sim, as bocas permanecem inertes e distantes
Isso não significa que elas devam permanecer assim só imaginando a distância diminuindo
Sabores, imagino sabores...

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Diário de Bordo

Ainda estamos aqui à deriva, sem grandes motivações, apenas boiando nesse mar sujo de aparências ocas e meias verdades.

Gado aquático sem brilho nos olhos,sem esperança, sonhos complexos ou algo que o valha.

Águas calmas não trazem tranquilidade, é ilusão, apenas adiam a  inevitável certeza de que a tormenta que está por vir deve ser enfrentada.

Ainda estamos aqui...

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Passa(n)do o tempo

Depois de alguns anos a vida é feita de contas a pagar, de notas fiscais comprobatórias, de revisões,previsões, check ups, e talvez textões.

Depois de alguns anos se sobrevive (dependendo da condição financeira)mais do que se "vive".

Depois de alguns anos tendemos a cantarolar em prosa (anedotas)mentiras e versos, vitórias passadas e ratificamos derrotas presentes.

Depois de alguns anos há mais dúvidas que respostas, se é que um dia houveram respostas.

Depois de alguns anos não se conserta as merdas que adubaram a vida com desculpas, dizendo que errou etc. Até nesse ponto a gente  chegou.

Depois de alguns anos, há enganos, ainda, encontros são mais desencontros que a maioria dos "furos" nas vidas passadas.

O horror, o horror, o horror "do deserto do real" continua sempre mais intenso e visceral, mesmo depois de alguns anos...

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Sem transtorno,choro e nem vela. Precisamos falar sobre relacionamentos reais.

Pra inicio de conversa, eu necessitaria ter a destreza/delicadeza do Gregório Duvivier para com as palavras e o humor ácido (ao descrever cenas do cotidiano) do Rafinha Bastos, para tentar "polemizar" com esse texto, coisas que não tenho. Vamos falar de algo delicado na vida de todo mundo? Vamos! Mas lembrando sempre que “a gente” não é “todo mundo”.

Surfando a ondinha do mais do mesmo que valem likes/deslikes, resolvi, pensando com meus botões, tentar entender a essência de um relacionamento. Tudo isso levando em consideração que descordo totalmente da narrativa melosa à la “Sabrina/Bianca/Júlia” e parcialmente do engajamento humorístico romantizado tentando descrever/transcrever a vida real de “gente como gente”.

A vida (adulta) é mais cruel do que “mocinho” morrendo em casamento de novela das oito. Quando chega não pergunta se pode entrar com todos os problemas e imposições, ela apenas entra sem limpar os pés, abre a geladeira, pega a última lata de cerveja, senta no sofá, toma o controle da TV da nossa mão e pronto.

Relacionamentos são uma espécie de upgrade da vida (adulta), são o limiar entre responsabilidade adquirida e gramática no singular jogada pelo ralo da pia. Sabe aqueles sonhos?! Pois é, eles não são mais só seus.

Quando digo isso não significa algo como ter dentro de si um egoísmo brutal, ter um ego maior do que o king-kong ou sido doutrinado por uma criação “machista-erradista” disseminada de geração a geração. A divisão de sonhos não existe literalmente, é apenas uma maneira de dizer que os mesmos foram transformados em algo que poderíamos chamar de reorganização de prioridades.

Não se trata de traçar planos com etapas complexas compostos por gráficos e apresentações de slides motivacionais. Vixe. Se trata de algo mais, quase que imperceptível. Descrever sentimentos de início, meio ou fim de relação, sejam eles quais forem, é praticamente um exercício de autoanalise.

Se pudéssemos provar/comprovar que a parte boa que ficou do outro(a) que se foi somos nós mesmos?!Sim caros amigos leitores (pouco mais de 5 AMIGOS que leem isso por aqui na verdade), teríamos plena consciência dos erros que proporcionaram o fim, ou dos acertos responsáveis pela continuidade?

Relações interpessoais amorosas e/ou apaixonadas são mais complexas do que os cálculos responsáveis por mensurar a massa de um buraco negro (o google pode mostrar que é simples, mas não é). E vocês se derretem sempre que veem/leem algo romântico sendo escrito/narrado/descrito. Ok. Nada demais, entendo a necessidade extrema de alguns, que abseuam por "opiniões" lúdicas acerca de um tema tão complicado. Para mim, esse tipo de coisa remete a algo tão irrelevante e fora da realidade como poemas e “cancionetas” compostas durante uma guerra mundial. Isso vende, isso agrada, eu sei.

Na verdade, (em minha concepção de verdade) não se trata de amor/paixão/tesão/diversão, se trata de compromisso, respeito e de compreensão (isso tá acabando como algo do tipo crônicas de pasquim de domingo no formato Augusto Cury), do quanto se pode suportar determinados problemas passageiros ou desfrutar de felicidades “instantâneas” ao longo do tempo, e ainda assim persistir/insistir ou (não)desistir.


Trata-se de dividir as contas de luz/água/internet/netflix/telefone/veterinário, dividir a conta do jantar a dois, as frustrações profissionais sentados no sofá da sala ao fim dia. Se trata de aturar os defeitos, reconhecer os próprios, tentar melhorar, errar e pedir desculpas. 

Trata-se de contar a piada sem graça no almoço de domingo e ainda ouvir a gargalhada da(o) parceira(o) exatamente igual ao tempo de namoro. Isso, não sei se é amor/paixão, isso eu tenho certeza que é ter um relacionamento de verdade.

Quando acabar(o pra sempre, sempre acaba), talvez teremos registrados conosco essa memória real e latente de como é e/ou foi bom enquanto valeu a pena.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O saquinho transbordante da hipocrisia

O prazer doentio que ludibria a mente dos mesquinhos(e pobres cosmicamente) é ter o ego massageado através de meias verdades que todos gostam de ouvir. Vivemos no eterno faz de contas, mas que de fato nunca acontece. Seja submisso e "viva feliz". Seja sincero e aguarde o paredão de fuzilamento oriundo do tribunal dos julgamentos bizarros e da "vontade divina", que andam lado a lado por sinal. Vivemos num mundo de cegos que não "enxergam" o interruptor instalado em seus próprios narizes. O telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor só servem se for pra dizer "amém" a tudo e a todos. Né isso amiguinhos?!
Sem mais.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Breve Poeminha Sobre o Paradoxo da Inércia Nossa de Cada dia



A depressão da segunda-feira
O choque de realidade da terça
As torcidas e distorcidas de vida(s) da quarta
A sensação de “o melhor ainda está por vir” da quinta
A corrida desesperada/desenfreada/despreocupada etílica da sexta
A ressaca continuada/eternizada do sábado
As desilusões de uma pseudo-biografia mal acabada do domingo
Um ciclo vicioso que vai do nada pra lugar nenhum
Um estouro de vozes incômodas que gritam silenciosamente
Um silêncio
É o que necessitamos, de fato
Um silêncio apenas...

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

(Des)Virtualidade exposta na bienal do grotesco

            O sentimento não é mais vivido, é compartilhado, o momento não é mais imortalizado, é curtido, a verdade não depende mais dos pontos de vista de cada um e sim do quão xiita-radical-revoltado-ignorante você/nós somos. Me digam se isso não aborrece alguém, pelo menos uma, duas ou mais vezes durante o dia?! - Se você respondeu “não”, me passe a receita – temos assuntos sérios no âmbito da política nacional/internacional sendo externados e manipulados a bel prazer pelos meios de comunicação, e pelos comunicadores de meias verdades que atendem aos grupos que sempre aí estiveram, estão e estarão como detentores do eterno domínio no que diz respeito à informação.

Temos besteiras sem precedentes como morte/casamento/nascimento de alguém “famoso” e a opinião de um colunista/jornalista que de repente ganhou o ódio dos fanzines quem andam sempre com suas tochas em punho, a espera de uma caça às bruxas que nunca chega. Temos gente se matando de verdade, por “pouca coisa” (quando na verdade a vida não tem preço), gente se “amando” tanto, vide retratos mundo afora, que até faz mal pra um diabético visualizar tanta doçura vomitada nas timelines.

E de repente, não mais que de repente, envolto nessa aura de fim dos tempos , ainda temos “crises”, descrença, lutas de classes, estado islâmico, conchavos, sertanejos universitários, funkeiros analfabetos, musicalidade perdida inversamente proporcional à contas bancárias transbordantes,edi macedo, exército de deus, malafaias e felicianos. Ufa. Mas, isso é muita informação/desinformação complexa para repetirmos de maneira desenfreada nessa onda de verdades absolutas transversalizadas e opiniões desprovidas de senso crítico. Opiniões essas, que em grande parte são, desmedidas, leigas e semianalfabetas sim, quer você goste ou não.

Não sou do tipo que manda flores, ou compartilha “jesus” só para quem crê, mas também não sou do tipo que aceita superexposição familiar, banalização de momentos íntimos e incitação à violência gratuita. Nesses últimos tempos, é o que mais temos evidenciado, incitação a crimes sendo subcontextualizdos como democracia, liberdade de expressão e opinião expressamente “garantida por lei”.

A paz que eu quero está longe dessa revolta online, dessa burrice travestida de senso comum, dessa falta de respeito (se é que algum dia tivemos) para com o próximo ou consigo mesmo. A vida anda chata demais, difícil demais, curta demais, cara demais, pra ainda perdermos tempo propagando o ódio, ou pelos menos transparecendo que é isso exatamente o que queremos. Ou não. Na verdade nós mesmo não sabemos o que queremos. Sejamos francos!?

Oremos, se valer a pena mesmo acreditar em algo. Olhemos, um pouco menos para nosso umbigo, mas isso se, realmente quisermos sobreviver/viver compactuando de opiniões de maneira consistente e clara, com o mínimo de bom senso e respeito, acerca de algo complexo como direitos individuais de minorias, morte ou vida para alguns, construção/desconstrução abstrata de sentimentos ou algo vago como o chopp quente do boteco da esquina e o juiz FDP que não deu aquela penalidade a favor de seu/meu time.

Vamos nos permitir, questionar, repensar, redesenhar as atitudes, reformular os sentimentos, reinventar a forma de olhar. Que sejamos menos, que odiemos menos, que vivamos mais.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sobre "ligações" mal feitas e suas interferências.

Há mais ou menos 10 anos entrei pela última vez em uma Igreja com o intuito de buscar uma religação com o Divino. Não deu certo. E a (má) experiência só ratificou minha opinião conturbada em relação a todas as religiões pelas quais “passei”. Sou de família com descendência Nordestina, logo todos são de origem religiosa Católica Apostólica Romana. Quando moleque ia à missa mais por obrigação do que por vontade própria. É isso mesmo meninada, na minha época a mãe mandava e a gente obedecia. Pois bem, com o passar dos anos, entre minhas revistas do Conan, Hulk, Batman, Lobo, Homem-Aranha, Hell Blazer e tantas outras, eu lia a Bíblia. Como qualquer garoto que mora numa cidade pequena, eu “viajava” naquelas histórias de pragas, dilúvio, meninos nascidos de virgens, gente que retornava do mundo dos mortos, enfim. Na minha cabeça era um gibi “massa pacas”, só que sem figuras bem desenhadas e quadrinhos descritivos.

Sim moçada, li a Bíblia umas três vezes. Lembre-se que pra criticar ou elogiar algo, primeiro temos que conhecer. A palavra preconceito já é autoexplicativa demais, justamente por se tratar de um conceito prévio, e na maioria das vezes errado, em relação a qualquer assunto que abordamos hoje em dia. E nisso fui crescendo, e construindo aí uma linha de raciocínio sobre religiões, divindades, fé, crenças e charlatanismo. Sim, li muito sobre isso ao longo dos anos, principalmente sobre a estrutura política que existe dentro das instituições religiosas. E isso me dá asco. Sou a favor que todos tenham direito a expressar suas crenças de maneira convicta, mas sem violência, extremismos, radicalismos e charlatanismos principalmente com intuito financeiro. Isso também me dá muito nojo.

A palavra religião, se não me engano, segundo meu querido Professor de Sociologia da Comunicação da Ufac, o Professor Dr. Enoque (Pastor Batista), é oriunda do latim “religare” que significa mais ou menos que a “religião religaria o homem a Deus”. Dito isto, voltemos a extrema necessidade humana de ter sempre algum templo, casa de oração, comunidade, ou algo do tipo, para poder alimentar a “comunhão” baseada nas crenças, que assim atingiria o ápice que seria o contato com a Divindade na qual respectivo grupo “deposita” sua fé. A base da sociedade é a religião, muito mais do que a política, imaginem um mundo sem medo de “castigos divinos, inferno, pragas ou punições eternas em geral”?! Claro, isso é caso não sigam exatamente o livro de regras que nos fora imposto. Seja a Torá, Alcorão, Bíblia Sagrada, Bíblia Mórmon, Bíblia Satanista, qualquer literatura psicografada, por Alan Kardec ou Chico Xavier. Até mesmo seguidores das teorias malucas de Aliester Crowley e os loucos seguidores da “Lei de Teleman” ou os fieis que creem nos “Reptilianos” como se não houvesse amanhã.

Dito isto, que é uma parcela infame para analises acerca de todas as religiões, seitas, grupos secretos etc. existentes em nosso planeta, voltemos ao ponto crucial dessa breve história de experiência decepcionante com os mensageiros do “divino”. Foi um convite recebido por um familiar, para que fossemos à Igreja Universal do Reino de Deus. É amigos, foi difícil pra aceitar, mas como a condição do parente não era das melhores, psicologicamente falando, resolvi dar uma força e fomos ao culto da sexta-feira, cujo o nome é algo como “Não-sei-o-quê dos milagres”, “Não-sei-o-quê-do-descarrego”, ou coisas do tipo. Chegando, fui bem recepcionado. Minha cara de “novato” no espaço deixa os diáconos e obreiros sedentos por um novo membro que irá se converter àquela noite, e será mais uma “alma” resgatada para a obra, o cofre e a tutela dos Pastores que conduzem as ovelhas cegas e enfermas, direto para o abatedouro da fé. Tentei não criticar logo de inicio, mas é quase impossível. Prometo tentar ser mais isento.

Começam as orações e rituais em si, com cânticos e mensagens lidas e “interpretadas” pelo Pastor, extraídas direto das escrituras sagradas e derramadas como “água de esclarecimento” sobre a cabeça dos sofridos que ali estão – Até agora é o texto com mais aspas desse Cérebro –  Tento me concentrar e relembrar como se reza, ora, faz um pedido ou desvia o olhar curioso do “irmão” que tanto berra ao meu lado. Começam as promessas de resolução de problemas, os pactos com a prisão temporária de sapatos (Até hoje não entendi aquela lombra dos sapatos direito) pressão psicológica para doações “espontâneas” e depoimentos de pessoas que parecem ter nascido matando, roubando, estuprando, usando drogas etc. E que agora nada disso importava mais ou marcaria suas vidas.

A parte “bacana” veio: A oração do descarrego. Basicamente somos obrigados a baixar a cabeça, fechar os olhos e orar pra que todos os problemas sejam solucionados como num passe de mágica. É até tocante, no inicio, depois começa a ficar patético. As pessoas que auxiliam no culto se dirigem aos membros que aparentemente estão entrando numa espécie de transe, e ficam em posição “segura a queda”. A essa altura eu já estava com um olho bem aberto e outro fechado, pois dois já haviam caído ao meu lado. E queria ver quem os tinham empurrando. Logo vejo que orações individuais são feitas nas pessoas, e assim que a mão do Pastor toca a testa de alguns estes imediatamente vão ao chão.
            
       Nesse ínterim, observo que caminhando em minha direção vem um senhor que também é responsável pelas orações “knockout”.Ele, de baixa estatura, solicita que eu baixe a cabeça, sobe em uma cadeira, e só assim alcance minha cabeça para efetuar seu trabalho. Percebo que há uma técnica composta por jogos de palavras, gritos repetitivos e um leve empurrão na testa para verificar em que nível de predisposição a cair estamos. Ouve uma pequena pressão impulsionando minha cabeça para trás, não mexi um centímetro sequer. Não satisfeito ele empurra mais forte. Nada. Logo o “Hobbit da fé” pressiona com mais força ainda, abro os meus olhos e a seguir vem um dos diálogos mais surreais pra se ter em uma igreja:

- Se o senhor continuar empurrando vou cair, e se cair quando levantar o senhor vai pegar um soco.
- Que isso irmão?!
- Que isso uma porra, é por isso que só vejo gente caindo, você as empurra seu bibelô do Edi Macedo!
- Elas caem pelo poder do espírito santo.
- Mermão, deixe de conversa, vim aqui como convidado e não vou deixar ninguém me derrubar não, desça dessa cadeira tire a mão da minha cabeça e vá tentar iludir outro com suas “quedas divinas”.
- Pastor temos um “demônio” rebelde aqui.
           
      Falei com a pessoa que me convidara que estava me retirando dali enquanto ainda havia paciência. Ela não entendeu muito, mas tempos depois conversamos e relatei o ocorrido. Resumo da ópera: Os problemas do familiar não foram resolvidos, mesmo após ele ter sido praticamente obrigado a participar de mais uns cinco ou seis cultos, devido o lance dos “sequestros de sapatos”. Soube que se bandeou pra outra igreja chamada “Casa da Benção” onde um dos maiores estelionatários da fé que no estado habita,  conhecido como Pastor José é o proprietário. Nisso, também me convidou a frequentar, mas já não estava mais disposto a participar do “freak show religioso” que o mesmo proporciona. E outra, estava sem dinheiro. De lá pra cá continuo buscando a “ligação” à minha maneira, sem correr riscos de quedas ou trocar a língua mater pela dos “anjos”, que talvez nem os anjos entendam.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Solta o celular e conversa porra!

A frase “sou do tempo” ou “no meu tempo” denota, na maioria das vezes certa experiência e\ou idade avançada.  Tudo bem, quanto a isso não tenho problemas, sou tranquilo em relação a idade (a minha, principalmente). Continuo tendo a certeza que ela é mental e não física, logo prossigo. Observo nas rodas de amigos ou colegas (de trabalho, faculdade, etc) hoje em dia, um certo desprezo por parte de alguns em relação às companhias ali presentes. Calma, não sou o chato que não que não tira a foto com a galera pra postagem #DeOntem. Ou até mesmo o contrário àquela “selfie” com aquele trambolho ridículo criado como acessório tecnológico para os celulares modernos (Vamos falar mais\mal disso em outro texto). Acho até bacana, quando usado de maneira “normal”. Abomino a permuta da gargalhada pura e primal, da piada cretina contada ou criada na hora, por vídeos “engraçadinhos” de redes sociais por exemplo.

Há tempo para tudo. A solidão coletiva\virtual que no dia a dia nos impõem regras de convivência e determina o “certo” e “errado”, não pode ultrapassar a linha tênue a qual delimita nossa vida real em relação àquela outra vida de “faz de contas”. Como disse antes, devemos utilizar dos meios comunicacionais virtuais hoje, de maneira moderada e,  como qualquer outra coisa na vida, se usarmos de maneira exagerada acarretará um problema futuro com toda certeza. Vício é foda, sei bem como é isso. Mas voltando para as observações. Tenho centenas de colegas, mas poucos amigos. Desses os quais sempre que podemos nos reunimos, com três ou mais, ou as vezes apenas dois. Sentamos pra discutir uma ideia, projeto, falar sobre cinema, música, um show que gostaríamos de ir ou só encher a cara e falar sobre futebol mesmo.

Desses poucos, menos ainda continuam ali “presentes” durantes os bate papos, o corpo está, mas a mente ávida pela frase de impacto que deve ser compartilhada, os dedos ágeis como os de um datilógrafo (I’m old school) dos anos 80\90 e a extrema necessidade de receber likes ou mentions, os faz em alguns casos, ter a tão sonhada “experiência fora do corpo”. Sou de uma época em que passávamos a noite com bons amigos, bebidas, histórias e muitas estórias, asneiras sem precedentes, paqueras olho no olho e dúvidas sobre muitas coisas. Hoje temos as “informações dosadas”, os “amigos porção única”, as “repostas” a uma telinha de distância.

Entristeço-me, mas algumas vezes vejo esperança ainda, pois continuo com poucos e bons ao meu redor. E desses, cada vez mais ratifico a amizade, pois ainda podemos sentar e conversar por horas e horas, sem a preocupação de olhar para o celular ou tablet, a  não ser que por ventura, surja um som estranho, como um toque musical.  É assustador, mas vemos que uma das funções primárias dos telefones é efetuar e receber ligações, e ainda existe. Hoje isso é tão raro quanto dizer “nunca ouvi falar disso ou daquilo”. Sempre pensamos que sabemos ou ouvimos falar de alguma coisa. Que pena dos meus futuros filhos e netos, nunca saberão o que é ter dúvidas numa conversa fiada.


E um "viva"à obsolescência programada!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

(Des)Construir

Uma vida inteira baseada em “E se fosse possível?”, quem nunca?! Olhar o horizonte infinito, a noite clara de luar, a luz das estrelas, isso tudo sozinho, nos fazer levantar questionamentos insolúveis e devaneios quase que palpáveis. Tenho a sensação de que é na solidão coletiva, que nos rodeia tão massivamente, onde realmente vemos com mais clareza, pelo menos tentamos, e às vezes conseguimos desconstruir esse roteiro mal acabado que somos ou nos tornamos ao longo do tempo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Haikai dos (Des)Encontros


Sendo assim, claro que procurei
Fiquei indeciso, arredio, ainda não sei
Achei?!

Hum, isso explica o implícito
Confunde o explícito
Revoga as certezas
Agride as dúvidas

Ah, as “certezas”, essas levadas
Certamente a reposta já existe
Mas a pergunta é que define

Encontro sem procurar
Mentira
Procurei sem encontrar

Mas o “bom dia”
O “boa tarde”
O “boa noite”
Fez-se a luz em meu olhar

Sentimento vivo
Reascende a dúvida
Se a certeza da busca

Foi/é realmente te encontrar.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sopro de Mudanças

         Os últimos dias tem se mostrado promissores, em todos os setores de minha medíocre vida. Conheci pessoas, ratifiquei e retifiquei amizades, pedi desculpas, "dei de comer" à sentimentos (Há muito) petrificados. Vi antigas promessas, revivi antigos erros, vivi novos cheiros e sabores. Não sou muito de falar sobre fé\esperança, com ninguém, sempre foi algo meio que um "campo minado" este tipo de conversa para mim. É algo tipo tentar explicar pra minha família que não frequento nenhuma igreja, templo, sinagoga, célula, etc. E ainda assim não ser ateu. Pois bem, minha fé tem crescido, não sei em quem ou o quê ao certo, mas tem sido potencializada e muito.
          
         Passei a visualizar as situações com um pouco mais de clareza e (Ironia vindo de mim, eu sei) sobriedade. Parece que semana passada eu tinha acabado de fazer 18 anos, e de repente tudo ficou expressivo e significantes como se eu tivesse a experiência dos quarentões (Idade desse que vos escreve: 34) com aquele olhar que sabe exatamente o que quer, de resolver situações, que antes eram impensáveis, apenas com poucas palavras. Uma coragem, um firmeza, uma 
auto-estima que antes era algo distante. Crise da "meia idade"?! Creio que não. Acho que apenas uma aceitação maior das vertentes de vida, das possibilidades, das consequências e inconsequências também. Porque, lógico, eu não seria louco de não ser um pouco louco. E decepcionar o querido Bukowski?! Jamais.

          
          Falta algo ainda, eu sei, ah e como sei. Mas depende única e exclusivamente de minhas decisões, meus posicionamentos, de minhas convicções.O "pensar mais em mim" me faz parecer egoísta, mas quem não é?! Vale lembrar que não existem certezas, apenas variáveis quânticas que nunca vamos utilizar quando falamos de sentimentos. Mas que pra parecer um pregador da razoabilidade utilizamos desse subterfúgio composto por múltiplos cálculos e probabilidades. Quando na verdade basta apenas querermos e agirmos. Só aí tudo se resolve. Ainda pareço confuso, eu sei. Mas não vim aqui pra explicar nada, vim pra confundir.

            Não é o último texto desse ano (espero) mas com certeza tem um tom de retrospectiva. Claro, foi um ano atípico, com mudanças bruscas e reviravoltas como que em uma novela da Televisa. Mas no fundo tudo foi bem proveitoso, está sendo bem proveitoso diga-se de passagem. Gostei de aprender (aprimorar) uma nova língua, como disse antes, conheci pessoas e fiz novos amigos,que mesmo distantes tem um significado grande para mim. E isso talvez seja um dos motivos pelo qual meu espírito está tão em paz. Tenho medo quando não estou tenso com algo, fico com aquele pensamente de "vai acontecer uma merda grande esses dias". Quando na verdade deve ser apenas a minha vida sendo renovada (calma, não virei evangélico), mas sinto que tudo vai ficar muito bem de hoje em diante.


         


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Cujusvis Hominis Est Errare

Tá, um jornalista como Xico Sá é burro quando tenta demonstrar seus "ideais" políticos, até concordo, em partes. Como leitor assíduo do mesmo, creio que pela carreira gutemberguiana do cara, lógico que ele não ia bater de frente tão bruscamente com a linha editorial do veículo para o qual trabalhava se não tivesse seus motivos, o qual parece que ninguém respeita. Creio que foi saco cheio, momento "Dia de fúria" com suas linhas futebolísticas-românticas e chefes sizudos. Achismo. Mas daí ver os descabelados cabos eleitorais virtuais, tanto de um lado quanto outro, criticar de maneira mútua Folha and Xico, me faz repensar academicamente como o discurso jornalístico nunca foi aquele bonitinho, ético, imparcial etc que o 1º semestre ensina com tanto esmero.

A teoria se distância da prática cada dia mais, em quase todas as áreas de atuação. A coluna de esportes com subtexto político foi o calcanhar de aquiles antiético da Folha e de Xico. Sim, são duas partes com percentuais iguais de "culpa" pelo rompimento de relações. O que me incomoda, e se não lhe incomoda é porque você é desprovido de senso crítico (ou um simples analfabeto funcional) é o fato de essa brigada armamentista política de "Ou  compactua com minha opinião, ou somos inimigos" existir e crescer a cada dia que passa. Outra é achar que o cara pediu demissão porque o governo tá pagando algo, quer dizer que não se pode ter mais convicções e tocar o foda-se?! Tudo tem que ser pra seguir regras de alguém, coisa ou instituição?! Se pensam assim, tenho pena de vocês, mentes lineares e mal acabadas de 8bits.

Vejamos, o cara errou feio, errou rude, ao bater o pé e querer publicar algo onde não devia. Humano, e muito, como ele é, porque não haveria o direito de pisar na bola, de frescar, de xingar e se esbaforir em rede social?! Direitos ele tem. A Folha também. Logo, os dois foram vitimas do extremismo que hoje assola por todos os cantos tipo um “Ou você é Bahia ou você é vitória!”. Pra quê isso, e se quiser apenas ser amante de futebol e não apaixonado por time A ou B?! Meio termo deixou de ser um direito e passou a ser defeito, há muito, e com maior força desde as últimas eleições pelo menos. Concordar discordando, elogiar criticando, faz parte de qualquer linha de raciocínio que possua o mínimo de bom senso.

Iria publicar esse texto antes, mas com certeza eu seria taxado de “reaça” ou “coxinha”. Mesmo deixando claro que foi babaquice de Xico e intransigência da Folha o fato do texto do cronista não poder ter sido publicado no caderno de esportes. Não é o fato de que “não podia”, concordo que não deveria ser publicado. Mas se fosse você, ou eu, e não visse uma mera comparação de FlaXFlu e eleições como uma menção escancarada de voto em X ou Y, apenas aproveitaria o espaço, a fama, as condições, o veículo em si o publicaria na coluna “Opinião” e pronto?! Emprego mantido, todos em paz, sem brigas ou polêmicas com os acéfalos facebukianos e happy end pra todos. Mas ele não o quis, errou, pagou pelo erro, é um direito dele, e discordar é um direito nosso. Simples assim.


P.S. Na guerra dos adjetivos salgatinescos sou “Quêbe de Arroz”. Sem mais!

domingo, 21 de setembro de 2014

Haikai no chão, levanta, se joga e vem

Vontades se fazem de coragens
De mais ou de menos
Basta tê-la
A força vem das várias “mensagens”
Da vida que lhe importuna, me importuna

Só querer sentar, conversar e ter
Com você, você
É pedir demais, uma simples alternância?!
Só, não “só”
Mas pra na verdade lhe ter

Você já percebeu que quando eu te vejo
Sim, transparece o desejo
Quase que incontrolável
Mas altamente enfático
Logo, eu perco o chão?!

Mentes, as nossas
Interligadas
Corpos, os nossos
Entrelaçados
Mente eu?!
Mente você?!
  
Posso sim, tentar me adaptar
Mudar, claro
Um pouco
Sempre, é, foi e será potencialmente
Muito perigoso

Então vem
Deixa os outros falarem
O que é que tem?!
Filmes sem graça
Passear na praça
Claro, se isso nos fizer bem

Porque não?!
Então, vamos na contramão?
Deixa tudo
E definitivamente

Vem!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Decadance Avec Elegance

Imaginem um sábado, boas companhias, lugar agradável e cheio de gente interessante. Imaginaram?! Pois é, tirando o fato real das boas companhias (pessoas que estavam comigo, é claro) o resto foi um apenas um freak show de entretenimento e massificação da futilidade humana. Calma, eu explico. Cada vez mais as figuras humanas vão perdendo a essência no que diz respeito à humanidade em si, a exteriorização de padrões revela isso o tempo todo, seja nos filmes, TV, internet ou na balada “da hora” que você vai meio como que entrando de gaiato num navio. Mais uma vez fica comprovado que essa superficialidade deixou de ser direito apenas dos “desprovidos” de capacidade de raciocínio lógico, Q.I alto e\ou disfunção cognitiva.
Estou falando de uma das milhares de “calouradas de medicina”  que ocorrem quase que semanalmente aqui na Bolívia. São festas caras (para o custo de vida no país) sempre cheia de gente que está dentro dos padrões de beleza inútil, se você não for uma atriz pornô, ou um michê profissional. Fui ao local por querer conhecer e beber um pouco também, mas já tendo uma ideia do que iria encontrar. A festa era é uma das mais concorridas, pois teria a presença de uma sub-celebridade que havia participado de uma das edições do “império do grotesco” chamado Big Brother Brasil. E como quase todo ex-famoso, intitular-se DJ é algo tido como lei, no que diz respeito à engenharia social que eles precisam fazer antes que o ostracismo ou uma overdose os consuma. Sendo que na verdade isso, sob minha ótica, é um insulto para com os verdadeiros profissionais da área.
Mas, o foco não é a pobre moça ex-sei-lá-o-quê que veio e apertou o “play” no toca-discos da boate, e sim o público. Ah o público. Quanta gente bonita (por fora), os futuros médicos brasileiros, sim, aqueles mesmos que dizem que a sua pancreatite não passa de uma indisposição estomacal ou falta de ingestão de água. Sim, aqueles mesmos que lhe consultam olhando pras receitas, e antes que você termine de falar: Pof! Virose! Mas quem sou eu pra julgar o profissionalismo de alguém, pelo simples fato de ele estar altamente  fora de sim em uma balada, ingerindo bebidas alcoólicas e drogas dos mais variados tipos?! Pois é, não é esse o objetivo. (momento falso moralismo detected).
O que vi, o que ouvi, o que fingi não ouvir, o que ri. Sim, tudo isso numa noite que acabou até cedo, para a pompa que a festa aparentava ter. O que mais me surpreende são as segregações padronizadas iniciais, como em todo local, no Brasil também, as tais subdivisões em alas: VIP, Camarote e pista. E isso é notório, cada ala tem seu público específico, e que faz juz ao que está sendo ofertado em cada setor dos estábulos das vaidades. Ficamos na pista, lógico, as alas mais caras são muito cheias sempre, a bebida é quente, e sempre terá gente filando sua cerveja, uma vez que o dinheiro que a pessoa tinha deu apenas pra pagar o local que lhe proporciona a visão “de cima”. Porque encher o ego com uma visão privilegiada é mais importante do que se divertir com amigos e\ou colegas.
E nisso foi rolando a festa, com as musiquinhas propícias das baladas mais teens (momento old boy detected), me recuso a dizer os ritmos e as músicas tocadas ,primeiro por não saber nome de quase nenhuma música, segundo por ferir meus princípios musicais, quando estou sóbrio, é claro. Mas voltemos ao fantástico mundo dos “estudantes”. Existe uma raça que tenho muita aversão, e cada dia que passa ele me decepciona mais, e nesse meio tempo minha fé é transferida dela para os animais: A raça humana. E dentro dessa raça, existem várias vertentes comportamentais, classificadas em grupos, em tribos, em modo de vida, etc. Uma delas é a “raça” que mais me causa nojo: Playboys. (Sim, sou intolerante a medicamentos, animais peçonhentos e a Playboys).
Uns logo acima, esbarrando em todos, com suas camisetas coladas, mostrando que academia está em dia, outros com suas panças enormes na camisa (também coladinha) “Armani” demonstrando que a conta bancária está no a azul. São os donos da festa, são o centro das atenções, são os mais cobiçados pela nossas futuras doutoras (Que Odin nos proteja). No intervalo entre uma música e outra se ouve alguns bate papos entre os presentes, dos mais variados tipos de conversas até inicio de pequenas discussões acerca do litro de uísque que alguém derrubou. Com meu copo de cerveja observo, e vejo algo quase que imperceptível se você foi ali realmente pra se divertir. Percebo o vazio naqueles olhares perdidos, que buscam algo que não são as mulheres\homens ali presentes, não são os uísques caros, os energéticos ou a cocaína com suas “carreiras” voluptuosas em cima das mesas na ala dos “very important personals”.
Será que estava vendo bem, ou era só mais um bêbado em meio a tantos, transferindo as próprias frustrações e o vazio que o ambiente trazia para materializar no outro, e não saber exatamente o que esse ou aquele olhar perdido buscava?! Não sei. Mas por um momento tive pena de alguns rostos, tive pena de algumas atitudes, tive pena. Nada mais. E isso me fez em meio àquele furacão etílico-sonoro mais uma vez levantar o questionamento sobre o que de fato vale a pena, sobre essa eterna buscar por ser feliz, que importância isso realmente tem, que ações podem ser classificadas como decadência humana ou como atitudes altruístas a ponto de nos sentirmos úteis, orgulhosos de si, e não nos culparmos por nada ou tudo que foi feito. Mais uma vez as perguntas remontam\desmontam uma simples noite de bebedeira. E nisso a festa vai rolando.
Vejo princípios de confusões, empurrões, agressões verbais dos mais variados tipos. A turma do “deixa disso” está presente e a ex-alguma-coisa já está pra entrar no palco, percebo pelo frenesi de máquinas fotográficas e celulares em punho num corrida contra o destino até chegar próximo ao local onde a moça irá fazer seu “show”.  São por volta das 00:45am, permaneço praticamente inerte, no mesmo local que cheguei e estrategicamente próximo ao bar e banheiros, isso é o conceito de estratégia, pra quem bebe, é claro. Showtime! Gritos, empurra-empurra eufóricos muitos descem do camarote, atravessam a pista para poder tirar uma foto com a “estrela da noite”. Eu apenas sorrio, amigos que estão ao meu lado não entendem muito, apenas sorriem de volta com aquele olhar de “esse cara tá bêbado já”.
Trinta minutos, creio eu, que tenha sido esse o tempo de duração da apresentação ,que ainda não sei direito o que foi, da ex-bbb. Não citarei o nome pois não lembro, e também seu nome não é representação de nada, nem para ela e nem para seus fãs. Imagine você ser reconhecido como o “Filho da fulana”, “Mulher do fulano”, “Irmão do”. Pois é,  essa é a premissa básica de quem adota o ex-alguma-coisa como nome, perde-se primeiro a dignidade na super-exposição a qual você se propôs por dinheiro, para em seguida perder parte da identidade (pelo menos por 6 meses).
Até agora não entendi mesmo o que ela veio fazer numa cidade boliviana, numa festa patrocinada por calouros de medicina. Será que a “carreira” não está sólida, será que a revista para qual pousou não rendeu o esperado, será que é apenas a “endorfina da fama” que ainda permanece no seu organismo que faz com que a pessoa aceite qualquer tipo de proposta para expor a imagem, nem quem seja por meia hora. Ou será que havia algo além, nas entrelinhas, no contrato de “serviços” que não percebi e\ou não vi. Será?!
Todavia não importa. Mais uma vez vemos a derrocada humana, pessoas ébrias, esbanjando o que aparentam ter, gente submissa à situações, outros dignos de tapas na cara dados pelo Capitão Nascimento, alguns apenas matando a saudade de casa ouvindo as “modas” brasileiras, gente fugindo da sobriedade e tentando achar respostas no fundo do copo de cerveja, muitos fazendo suas “selfies” pra serem vistos, curtidos e compartilhados. Por que fazer isso não sei. Fui um dos “mais dos mesmos” a serem encaixados nessas diversas vertentes de pessoas presentes. Me diverti, não serei hipócrita a ponto de dizer que não. Afinal somos todos suscetíveis, o ambiente nos transforma, por muitas vezes nos consome. O que realmente podemos taxar como decência, postura, certo, errado, se o momento é tão superficial que mal conseguimos lembrar dos nomes das pessoas. O que estar no topo, quando é estar no topo, e o que de fato é a decadência!?

E aqueles olhares perdidos no vazio do caos noturno, de copos cheios e de companhias solitárias ainda me intrigam muito. Muito.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Pessoas vão, pessoas vem, pessoas ficam

Tenho poucos amigos, mas bons, muito bons. Quando já passamos dos 21 aninhos essa seleção parece que vai ficando mais rigorosa e natural. Discernimento, bom senso, pode dar o nome que quiser, eu prefiro chamar de vivência. Certo. Amizades, com “A” maiúsculo se contam nos dedos hoje em dia, de fato há cada vez menos pessoas confiáveis o suficiente para serem denominados verdadeiros amigos. Comecemos por família, todos os seus familiares são seus amigos? Duvido muito. Pois se a resposta for “sim” você precisa ser entrevistado pela Marília Gabriela ou Jô Soares. Isso será um fato inédito na sociedade pós moderna contemporânea. Pois bem, falando desse modo parece que soa meio preconceituoso para com os parentes e aderentes, mas não, não é.
Há muito venho tentando delimitar parâmetros que definam qual tipo de relacionamento tenho com as pessoas mais próximas a mim. Não pense que é fácil, pois ao mesmo tempo em que tenho certeza de quem é “Brother” sem titubear, as dúvidas acerca de quem classificar como “Amigo” beiram à crise existencial. Mas é engraçado, quando crianças, todos praticamente éramos amigos, no sentido puro, o que definia bem isso era um pedaço do quibe dado na hora do recreio ou o convite pro videogame na casa do mais afortunado da turma. Não precisávamos de muita coisa pra dizer: Esse aqui é meu amigo.
Pulamos pra fase boa das descobertas adolescentes, inconsequentes e na maioria das vezes bastante conturbadas. É aí que o conceito de amizade ganha outras conotações. Amigo de verdade passa a ser aquele que lhe convida pra ir à boate, mesmo sabendo que você tá sem grana, e diz “Relaxa, pago hoje, quando você tiver grana você paga pra mim”. Desses “Brothers” tive muitos, e fui um dos tipos também. Valores diferentes, épocas diferentes e definições de amizades diferentes. Então começamos a enxergar o mundo sob outro prisma, que não o adolescente, e logo a paleta de cores vai do amarelo ouro aos tons mais cinzentos e escuros no que diz respeito à amizade. Isso é meio chocante à principio, mas depois vemos o quanto nossos pais tinham bastante razão sobre quase tudo.
É neste exato momento em que “redescobrimos” a família (Pelo menos comigo foi assim) e o irmão (ou irmã) mais velho de repente não é mais aquele cara que parecia querer apenas mandar, e sim uma pessoa que pode falar com você, e o melhor de tudo disposto a te ouvir. Isso é espetacular. Já estamos naquele momento de buscar um norte, e a conversa com a mãe e o pai já não é tão conturbada quanto antes, lógico que existem assuntos que jamais seu amigo da família vai entender, logo, melhor deixar pra falar com os outros amigos. E nessa troca de conhecimentos familiares, agora fazendo mais sentido, começamos a diagramar o nível de amizades e coleguismos. Colegas de faculdade, de trabalho, de academia (não é o meu caso), colegas de bar (SIM, é o meu caso), colegas de infância e os amigos.
Não consigo contar quantos colegas tenho, já pessoas amigas contando com as duas mãos ainda sobram alguns dedos. Depois de quase conseguir definir\classificar os níveis de amizade\coleguismo ainda tem uma das coisas mais difíceis para um homem: Quais mulheres (que não são da família) de fato são suas amigas, quais são suas colegas, e quais são apenas conhecidas. Sem entrar no tema antigo e machista de “homem não tem amigas”. Claro que tem, mesmo que seja com “benefícios”, mas tem. Como saber que uma pessoa pode ser amiga de verdade, é difícil, mas basta observar algumas atitudes e momentos cruciais e então tiramos as conclusões com base no feito ou no que se deixou de fazer. É claro que não se pode haver cobrança numa amizade verdadeira, é amizade e não casamento, é bom lembrarmos sempre disso.
Nos últimos tempos, mais precisamente nos últimos oito anos, conheci pessoas que se tornaram meus colegas, outras apenas continuaram como conhecidas e algumas foram como se nossas almas já tivessem sido amigas em outro plano astral, universo paralelo, ilha de lost, matrix ou numa camada bem densa de uma “inserção”. O simples fato de começarmos a conversar e nos darmos bem, termos muitas divergências em relação a algumas coisas e ao mesmo tempo termos tanta afinidade sobre os mais variados assuntos fez com que novamente eu redefinisse meu conceito sobre o que é a amizade.


 Contudo, todavia, no entanto meus caros (e poucos) leitores, tenho tido cada vez mais certeza de que a amizade é nada mais nada menos do que a condição de compartilhar experiências (não aquelas em uma rede social), ser solicito, mesmo longe tentar estar “presente”, mesmo sem ter contato por um bom tempo ainda rir e se abraçar quando novamente se encontrarem, discutir rispidamente sobre uma cagada feita e\ou oferecer um ombro num momento de dor ou frustração. Não é preciso estar juntos “24 horas por dia” para sermos\termos amigos, muitas vezes basta uma pequena palavra, ou mensagem durante o dia, ou um telefonema bêbado na madrugada, ou aquele visita chata na hora do almoço de domingo. Porque amigo que é amigo não precisa ser convidado, não precisa ter vergonha um do outro e não precisa ter compromisso, apenas respeito mútuo. E para isso é preciso saber cultivar esse sentimento cada vez mais raro: A amizade.